Auxílio psicológico aos tripulantes
As particularidades da profissão de piloto – um profissional submetido a intenso estresse psicológico, agravado devido às consequências geradas pelos longos períodos afastado de familiares e amigos – faz com que este seja um grupo especialmente vulnerável a problemas de saúde mental. Se, em qualquer profissão ou grupo social, as dificuldades em lidar com tais problemas são cercados de tabus e estigmas, na aviação isso é muito pior! Os pilotos sofrem avaliações de saúde (inclusive mental) periódicas, e se for detectado algum transtorno de caráter psicológico ou psiquiátrico, a consequência pode ser a suspensão do Certificado Médico Aeronáutico (CMA). Na prática, isso significa parar de voar – e, eventualmente, de ser remunerado por isso – e, por essa razão, pilotos raramente se expõem em eventuais questões neste sentido.
A aviação comercial brasileira já começou a lidar com essa situação com a criação de programas de auxílio pssicológico peer-to-peer, com pilotos ajudando pilotos sob a supervisão de profissionais de saúde mental. O funcionamento desses programas passa pela seleção de voluntários que são treinados para lidar com as questões de saúde mental de seus colegas e, uma vez identificada a necessidade de ajuda profissional, encaminhá-los para um psiquiatra ou psicólogo.
Nos EUA, nossa congênere NBAA – National Business Aviation Association, em parceria com a FAA – Federal Aviation Administration, já endereçou essa questão, que pretendemos agregar ao portfólio do AVV ainda em 2026. Aqui, iremos desenvolver uma plataforma de ajuda a pilotos da aviação de negócios baseada no modelo atualmente adotado por uma grande companhia aérea, que possui uma subsidiária de aviação sub-regional com características similares às demais operações da aviação de negócios.