Aviação Geral no Brasil Central, desenvolvimento e infraestrutura
De tal modo, desde a inauguração da primeira pista de pouso improvisada na cidade de Ipameri, Goiás, em 1926, até a atualidade, o uso das terras goianas como alicerce para prover todo o suporte aéreo necessário aos programas oficiais que visavam desenvolver o interior do país, e em seguida, para atender às necessidades de sua economia crescente, fez com que a aviação geral instalasse no estado goiano, as principais bases de manutenção de aeronaves de pequeno e médio porte do centro norte do Brasil. Hoje, Goiânia possui 25 oficinas homologadas para a manutenção de aeronaves, sendo que esse número chega a 28, considerando suas congêneres instaladas em Anápolis, que dista apenas 50 quilômetros da Capital, fazendo da mesma o segundo maior pólo de manutenção para a aviação geral no país, em números de empresas com essa especialidade, que atendem demandas de todo o Brasil. Existem ainda diversas firmas ocupadas na construção amadora de aeronaves, uma empresa voltada para projetos de certificação aeronáutica, uma faculdade de ciências aeronáuticas em nível de bacharelado (CAER/PUC-GO), diversas escolas de aviação e aeroclubes, táxis-aéreos (estando estes especialmente concentrados em Goiânia) e vinte e oito empresas aéreas agrícolas espalhadas pelo Estado. Contudo, apesar dos progressos, o fator infraestrura tem pesado de forma a comprometer o desenvolvimento da aviação geral no Estado de Goiás.
O Aeroporto Internacional de Goiânia (o primeiro aeroporto comercial do Centro-Oeste), onde se concentra o maior número de empresas voltadas às atividades da aviação geral, foi construído em meados dos anos cinqüenta, e há mais de 10 anos clama por uma grande reforma (interrompida desde 2004), sendo que sua atual estrutura mal atende às necessidades dos vôos regulares. Os outros dois aeródromos que servem à Capital, como o Ninho das Águias e o Aeródromo Brig. Eppinghaus, são campos bem menores, e que não comportam a operação de aeronaves executivas à reação. Isso resulta que as empresas de aviação geral ora se vêem inseguras quanto a possibilidade de continuar suas atividades naquele sítio aeroportuário, especialmente em se considerando a proximidade de grandes eventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas), bem como a condição de aeroporto alternativa de Brasília, o que faz com que a atividade aérea regular (que também não vem recebendo qualquer investimento de monta) seja considerada como uma questão prioritária sobre as demais, o que está se denotando inclusive, através de uma série de dificuldades quanto à renovação de algumas concessões de aéreas, ora em uso pelas empresas que atendem a aviação não regular. Logo, para a aviação como um todo preservar suas conquistas e se projetar para o futuro, será indispensável a participação da sociedade brasileira na solução de seus problemas, o que pode se dar através de um debate permanente, podendo ser feito, sobretudo, através das entidades de classe voltadas à aviação, que têm ao instante
Georges de Moura Ferreira é aviador, advogado, professor de Direito Aeronáutico Internacional da PUC-GO e de Direito Internacional Público da Uni-Anhanguera, conferencista e membro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – Delegacia de Goiás. Raul Francé Monteiro, piloto de linha aérea, presidente do Conselho Consultivo de Ciências Aeronáuticas, mestre em psicologia social e coordenador do curso de ciências aeronáuticas da PUC-GO. Newton Marcos Leone Porto, aeronauta, escritor, mestre em história e professor do Curso de Ciências Aeronáuticas da PUC-GO. |
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