Aviação Geral no Brasil Central, desenvolvimento e infraestrutura
foto: Divulgação

Professor
Georges
de Moura Ferreira |
No
Brasil da década de 1930, o avião foi um dos principais instrumentos
utilizados nos projetos de integração nacional do governo,
para o que entendia ser a construção da unidade nacional,
sem o que não aventava a possibilidade da edificação de uma identidade
cultural brasileira.
O Centro-Oeste, a Amazônia, regiões belas
e difíceis ao homem, constituíam-se num desafio a ser
vencido, o lócus principal daquela aventura aérea na conquista das
últimas das terras desconhecidas. Os habitantes daqueles rincões viriam
a receber
as benesses daquelas asas metálicas de bom grado, por lhe
proporcionar o alcance às facilidades da vida moderna mais rapidamente
que o barco e o lombo de animais, viajando do tempo do
remo e da picada, para o tempo do avião. |
Graças a esses vôos heróicos, projetos como o Correio Aéreo Militar, a Marcha para o Oeste, a construção
de Goiânia e
a própria transferência
da Capital Federal se tornaram viáveis. Contudo, mais
que um mero meio para conquistar a tirania das distâncias,
a atividade aérea ao mesmo tempo representou um fator de
mudança
na economia e no comportamento daquelas populações,
em especial àquela estabelecida no Estado
de Goiás, que se converteria em vários aspectos, em um importante pólo aeronáutico nacional.
De tal
modo, desde a inauguração da primeira pista de pouso improvisada na
cidade de Ipameri, Goiás, em 1926, até a atualidade, o uso das terras
goianas como alicerce para prover todo o suporte aéreo necessário aos
programas oficiais que visavam desenvolver o interior do país, e em
seguida, para atender às necessidades de sua economia crescente, fez
com que a aviação geral instalasse no estado goiano, as principais
bases de manutenção de aeronaves de pequeno e médio porte do centro
norte do Brasil.
Hoje, Goiânia possui 25
oficinas homologadas para a manutenção de aeronaves, sendo que esse
número chega a 28, considerando suas congêneres instaladas em Anápolis,
que dista apenas 50 quilômetros da Capital, fazendo da mesma o segundo
maior pólo de manutenção para a aviação geral no país, em números de
empresas com essa especialidade, que atendem demandas de todo o Brasil.
Existem
ainda diversas firmas ocupadas na construção amadora de aeronaves, uma
empresa voltada para projetos de certificação aeronáutica, uma
faculdade de ciências aeronáuticas em nível de bacharelado
(CAER/PUC-GO), diversas escolas de aviação e aeroclubes, táxis-aéreos
(estando estes especialmente concentrados em Goiânia) e vinte e oito
empresas aéreas agrícolas espalhadas pelo Estado. Contudo, apesar dos
progressos, o fator infraestrura tem pesado de forma a comprometer o
desenvolvimento da aviação geral no Estado de Goiás.
O
Aeroporto Internacional de Goiânia (o primeiro aeroporto comercial do
Centro-Oeste), onde se concentra o maior número de empresas voltadas às
atividades da aviação geral, foi construído em meados dos anos
cinqüenta, e há mais de 10 anos clama por uma grande reforma
(interrompida desde 2004), sendo que sua atual estrutura mal atende às
necessidades dos vôos regulares. Os outros dois aeródromos que servem à
Capital, como o Ninho das Águias e o Aeródromo Brig. Eppinghaus, são
campos bem menores, e que não comportam a operação de aeronaves
executivas à reação.
Isso resulta que as empresas de
aviação geral ora se vêem inseguras quanto a possibilidade de
continuar suas atividades naquele sítio aeroportuário, especialmente em
se considerando a proximidade de grandes eventos esportivos (Copa do
Mundo e Olimpíadas), bem como a condição de aeroporto alternativa de
Brasília, o que faz com que a atividade aérea regular (que também não
vem recebendo qualquer investimento de monta) seja considerada como uma
questão prioritária sobre as demais, o que está se denotando
inclusive, através de uma série de dificuldades quanto à renovação de
algumas concessões de aéreas, ora em uso pelas empresas que atendem a
aviação não regular.
Logo, para a aviação como um
todo preservar suas conquistas e se projetar para o futuro, será
indispensável a participação da sociedade brasileira na solução de seus
problemas, o que pode se dar através de um debate permanente, podendo
ser feito, sobretudo, através das entidades de classe voltadas à
aviação, que têm ao instante
a oportunidade de participar positivamente na construção da
nova realidade aeronáutica brasileira, que pela primeira vez em sua
história, está sob a responsabilidade de organizações civis.
Georges de Moura Ferreira é aviador, advogado, professor de Direito Aeronáutico Internacional da
PUC-GO e de Direito Internacional Público da Uni-Anhanguera,
conferencista e membro da Associação dos Diplomados da Escola Superior
de Guerra – Delegacia de Goiás.
Raul Francé Monteiro,
piloto de linha aérea, presidente do Conselho Consultivo de Ciências
Aeronáuticas, mestre em psicologia social e coordenador do curso de
ciências aeronáuticas da PUC-GO.
Newton Marcos Leone Porto, aeronauta, escritor, mestre em história e professor do Curso de Ciências Aeronáuticas da PUC-GO. |