ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
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O voo alto da aviação executiva

O mercado de aviação executiva, um termômetro do humor dos empresários poderosos, sofre os solavancos e as turbulências da economia brasileira neste ano. Mesmo assim, terminará 2012 com um aumento de 5% no volume de aquisições de aviões e helicópteros, segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG). O resultado representará mais do que o dobro do crescimento do PIB, na casa de 2%, esperado para este ano. Tudo indica que a fase de vento cruzado (aquele que vem de lado e aflige os pilotos) já passou. “Entre abril e maio, tivemos uma curva de crescimento perto de zero”, afirma Ricardo Nogueira, vice-presidente executivo da ABAG. “O receio de fora, representado pela crise europeia e pela desaceleração econômica nos Estados Unidos, se instalou no País.”

No entanto, segundo ele, o mercado de aviação executiva no Brasil continua desafiando os dogmas da economia.

“Estávamos numa calmaria quando veio um tufão de boas notícias em agosto, na feira de aviação, a LABACE, e fechamos vários negócios”, diz Nogueira. O Brasil possui a segunda maior frota de aviação geral do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Na aviação executiva, a frota brasileira é de 1.650 aeronaves, sendo 650 helicópteros, 350 jatos e 650 turboélices. A cidade de São Paulo, principal centro econômico do País, concentra 35% do total (577 aeronaves). Operam no Brasil 4% de todos os helicópteros do mundo, segundo a IHST (International Helicopter Safety Team).

           

Nos últimos dez anos, a frota de helicópteros do Brasil cresceu 58,6%, um ritmo três vezes maior do que a frota de aeronaves em geral, que aumentou 18,7%. Uma fabricante brasileira de helicópteros, que detém 48% do mercado executivo de helicópteros nacional, já entregou 23 unidades para o segmento até outubro deste ano. “Em 2011, entregamos 26 helicópteros para o mercado executivo”, diz François Arnaud, vice-presidente comercial e de marketing da empresa. Dos 1.325 helicópteros civis em todo o Brasil, 541 estão no Estado de São Paulo. E a tendência é que o mercado continue a crescer nos próximos anos. O mesmo vale para os jatos. Nos dois casos, quem procura por esse tipo de aparelho está atrás do maior objeto de desejo da humanidade no século 21: tempo.

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“Quase na sua totalidade, os clientes brasileiros da fabricante de aeronaves brasileira adquiriram aeronaves em razão do crescimento dos seus negócios e pela constatação de que o jato executivo é uma ferramenta de trabalho”, diz Marco Túlio Pelegrini, vice-presidente de operações da empresa. De acordo com ele, são empresários de setores como o agronegócio, químico, construção civil, automotivo e profissionais liberais, entre outros, que aproveitaram o bom momento econômico brasileiro para serem mais produtivos, com a velocidade, privacidade, segurança e flexibilidade que a aviação executiva oferece. Segundo um levantamento de uma consultoria americana e da fabricante brasileira, da frota mundial de 18.284 jatos executivos, 55% foram adquiridos por pequenas empresas e 11% pelo departamento de voo de grandes companhias.

           

Apenas 4% das aeronaves estão nas mãos de pessoas de alto poder aquisitivo. Isso comprova que um jato executivo é, cada vez mais, uma ferramenta de trabalho no mundo dos negócios. Nos próximos dez anos, estima-se que o Brasil vá precisar de 400 a 450 novas aeronaves, um mercado avaliado entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6 bilhões. No mundo, até 2022, a expectativa é de uma demanda de 7,8 mil aeronaves, equivalente a US$ 205 bilhões, em um quadro mais conservador, e de 9,3 mil aeronaves ou US$ 246 bilhões num cenário de crescimento. A fabricante brasileira já entregou 110 jatos executivos no mercado brasileiro, desde 2000, quando entrou nesse segmento. A empresa de São José dos Campos vende seus jatos executivos para os EUA, Oriente Médio e China, principalmente.

“O interessante é que, nos últimos cinco anos, o Brasil foi o país que mais recebeu registro de novos jatos executivos depois dos EUA, a metade formada por aparelhos da fabricante”, afirma Pelegrini. Para ele, ainda há muito espaço para alçar voo no Brasil. Basta comparar com os EUA, que têm um território de dimensões continentais, semelhante ao brasileiro, e uma frota de 11,1 mil jatos executivos. “Temos muito para conquistar”, diz Pelegrini. A fabricante registrou lucro líquido de R$ 132,5 milhões no terceiro trimestre deste ano, revertendo o prejuízo de R$ 200 mil no mesmo período do ano passado, informou a companhia, na terça-feira 23. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 336,9 milhões entre julho e setembro, valor acima dos R$ 311,4 milhões do mesmo período de 2011.

Entre julho e setembro, a empresa fez a entrega de 27 aeronaves ao mercado da aviação comercial e despachou 13 aviões executivos. O ano de 2012 também tem sido muito bom para uma fabricante canadense, que detém um market share de 20% no País, com mais de 130 aeronaves registradas no território nacional. Os bons ventos não sopram para a empresa apenas no Brasil, mas também em outras partes do mundo todo. “Tivemos 134 pedidos líquidos no segundo trimestre do ano e as atividades e os interesses no mercado brasileiro estão crescendo”, disse Fabio Rebello, diretor-geral da fabricante canadense no Brasil. De acordo com ele, a demanda por jatos executivos cresce porque acompanha a necessidade das empresas de viajar para lugares distantes, como Índia, China e Oriente Médio.

Fonte: Isto É