O primeiro pretende desenvolver conhecimento e capacitação para o uso de tecnologias de fabricação de estruturas de materiais compósitos aplicadas em estruturas aeronáuticas. Outros dois irão investigar procedimentos de fabricação e aferição de desempenho
de estruturas metálicas produzidas a partir de ligas e processos de conformação avançados. O quarto projeto tem foco em novas tecnologias para fabricação de fuselagens com o equipamento Fiber Placement, de deposição automática
de camadas de fibras para composição do material.
“As máquinas de soldagem por atrito de chapas, de Fiber Placement e de deposição automática têm período de fabricação estimado
entre oito e 10 meses. Com isso,
nossa expectativa é que o laboratório entre em funcionamento em janeiro de 2010”, explicou.Oliveira afirmou ainda que o laboratório será operado por 20 a 30 pesquisadores
e funcionários técnicos do IPT. Mas a comunidade acadêmica envolvida com os trabalhos nas instalações deverá ser dez vezes maior. Gerenciando essa interação, o IPT atuará como conexão entre o setor acadêmico e empresarial.
“O laboratório será um ponto de partida para que possamos viabilizar acordos com órgãos de fomento, universidades e empresas,
a fim de desenvolver aplicações. Ele será um elemento aglutinador. As universidades produzirão conhecimento básico, que será consolidado em produtos e, então, transferido para o setor empresarial, com a participação das universidades”, disse. Depois dos três primeiros anos – para os quais os recursos de operação estão garantidos – as parcerias deverão possibilitar a
continuidade das operações do laboratório. “As estruturas leves têm aplicações na indústria aeronáutica, mas também na de petróleo
e gás e na indústria de bioprocessos, por exemplo.
Uma vez concluídos os projetos estruturantes, temos muitas perspectivas de parceria”, afirmou Oliveira.
Os projetos estruturantes são: “Estruturas metálicas aeronáuticas: novas ligas e processos de conformação avançados”, “Estruturas metálicas avançadas: caracterização, análise e aplicação”, “Desenvolvimento e aplicação da tecnologia de compósitos no desenvolvimento de estruturas aeronáuticas” e “Desenvolvimento de processos tecnológicos de laminação automatizada para estruturas aeronáuticas”.
Articulação institucional - Durante a cerimônia de assinatura do contrato, o secretário do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, destacou
que o projeto teve a participação
dos três níveis de governo: do estado por meio da secretaria, do governo federal pelo BNDES
e da prefeitura de São José dos Campos, que gerencia o parque tecnológico.
“O projeto se insere na lógica do parque tecnológico, de fazer convergir os esforços do governo, das instituições de pesquisa e da iniciativa privada para acelerar a pesquisa tecnológica. O objetivo é construir um mercado para o desenvolvimento – e isso se faz pelo conhecimento”, disse Alckmin.
Segundo o presidente da FAPESP, Celso Lafer, um projeto da envergadura do LabPEL depende necessariamente de uma articulação complexa que envolve várias instituições. “A contribuição da FAPESP nesse contexto não se limitou aos recursos investidos. A Fundação teve um papel ativo na articulação das instituições envolvidas. Trata-se de um projeto fundamental para que o Brasil tenha controle de seu próprio destino”, disse.
De acordo com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o laboratório permitirá avanços tecnológicos em áreas de importância estratégica, como o setor aeronáutico
e aeroespacial.
“Mas o laboratório também será um multiplicador importante, por efeito de sinergia, para outras indústrias importantes, permitindo a fabricação, por exemplo, de equipamentos para a exploração de petróleo em águas profundas, assim como componentes da indústria automobilística, beneficiando outras áreas que necessitam
de fibras e estruturas leves”, disse.
Dos R$ 90,5 milhões previstos pelo convênio para construção, compra de equipamentos e operação do laboratório, R$ 27,6 milhões serão obtidos pelo governo do estado junto ao BNDES, por meio do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico (Funtec). O banco destinará R$ 17,9 milhões ao IPT, R$ 7,9 milhões à FAPESP e R$ 1,8 milhões para despesas de importação. Outros R$ 16,6 milhões, também para estruturação do laboratório, virão de recursos próprios do IPT (R$ 5,9 milhões), da FAPESP (R$ 2,4 milhões)
e da Finep (R$ 8,3 milhões). Para os projetos de pesquisa tecnológica, o laboratório receberá investimentos de R$ 42 milhões da Embraer (em homens/hora), R$ 1,5 milhão
do IPT, R$ 2,3 milhões da FAPESP e R$ 450 mil da Finep.
A Secretaria de Desenvolvimento já havia destinado, ainda, outros R$ 2,5 milhões para adequar o novo laboratório ao local cedido pela prefeitura de São José dos Campos.
O laboratório será instalado em uma planta térrea de cerca de 4 mil metros quadrados. |